Cross the sea to answer the phone
Somos todos pessoas. Todos temos uma história. Todos estamos de rodeados de algumas histórias conhecidas que, de alguma forma interceptam, ou convergem nas nossas, e milhentas mil infinitas que não fazemos ideias que existem e acontecem.
150 000.
149 000 + 1000.
ou 1+1+1+1+1+ ... pessoas. Mortas. E aqui estamos nós, quentinhos nas nossas casas, escritórios e pedaços de vida de que tanto nos queixamos, todos os dias. E todos lemos isto, e dizemos coisas estranhas como “é verdade” e “é a vida”, e “tens razão”, e continuamos a aumentar os termóstatos, e as queixinhas existenciais, e queremos sempre mais do que aquilo que temos. Seremos sempre assim. Ou. Seremos sempre assim?
Pode ser uma pergunta. Pode ser uma afirmação.
Porque a afirmação traduz aquela imagem quentinha e confortável, nós, desdentados, nos nossos belos cadeirões. E uma lareira, sim, porque essa não pode faltar quando as peles já estiverem enrodilhadas e estivermos a tricotar meias de lã para os nossos bisnetos. Ou a contar-lhes grandes façanhas de putos nas árvores do monte por trás da nossa casinha. E eles saberão que foram 150 000 mortos nos fins de 2004. Ou até os livros venham com a inevitável falha factual e lhes impinja que foram 15 000 ou 1 500 000, em 2014. Tanto faz.
E porque a interrogação deixa em aberto se alguém um dia se irá lembrar de se levantar do cadeirão e se aventurar para um mundo desconhecido. Aquele mundo que todos sonhamos ir, e dizemos que temos na nossa alma aventureira, e sonhamos toda a vida. Mas mesmo toda a vida. E quem se lembrar, pega nas trouxas e leva só um bocadinho daquilo que sabe e que pode para um sítio, uma hora. Não precisa de curar meio milhão de gente da lepra e da sida e que ressuscite outros tantos corpos, nem qualquer outro heroísmo. Bastava que conhecesse o olhar de um desconhecido qualquer, um aperto de mão, uma carcaçazinha. Só amarrar mais uma história para misturar com a nossa.
Ao menos, já seriam 150 000 – 1.
150 000.
149 000 + 1000.
ou 1+1+1+1+1+ ... pessoas. Mortas. E aqui estamos nós, quentinhos nas nossas casas, escritórios e pedaços de vida de que tanto nos queixamos, todos os dias. E todos lemos isto, e dizemos coisas estranhas como “é verdade” e “é a vida”, e “tens razão”, e continuamos a aumentar os termóstatos, e as queixinhas existenciais, e queremos sempre mais do que aquilo que temos. Seremos sempre assim. Ou. Seremos sempre assim?
Pode ser uma pergunta. Pode ser uma afirmação.
Porque a afirmação traduz aquela imagem quentinha e confortável, nós, desdentados, nos nossos belos cadeirões. E uma lareira, sim, porque essa não pode faltar quando as peles já estiverem enrodilhadas e estivermos a tricotar meias de lã para os nossos bisnetos. Ou a contar-lhes grandes façanhas de putos nas árvores do monte por trás da nossa casinha. E eles saberão que foram 150 000 mortos nos fins de 2004. Ou até os livros venham com a inevitável falha factual e lhes impinja que foram 15 000 ou 1 500 000, em 2014. Tanto faz.
E porque a interrogação deixa em aberto se alguém um dia se irá lembrar de se levantar do cadeirão e se aventurar para um mundo desconhecido. Aquele mundo que todos sonhamos ir, e dizemos que temos na nossa alma aventureira, e sonhamos toda a vida. Mas mesmo toda a vida. E quem se lembrar, pega nas trouxas e leva só um bocadinho daquilo que sabe e que pode para um sítio, uma hora. Não precisa de curar meio milhão de gente da lepra e da sida e que ressuscite outros tantos corpos, nem qualquer outro heroísmo. Bastava que conhecesse o olhar de um desconhecido qualquer, um aperto de mão, uma carcaçazinha. Só amarrar mais uma história para misturar com a nossa.
Ao menos, já seriam 150 000 – 1.

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